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Turismo em Morro de São Paulo Online, Bahia Brasil - Como começou o Vilarejo e o Turismo em Morro de São Paulo.

Como começou o Vilarejo e o Turismo em Morro de São Paulo.

                                  Morro de São Paulo.

Morro de São Paulo não se resume, obviamente, às suas belezas naturais. Além do ar puro aqui se respira muita história. O passado de Morro de São Paulo é narrado principalmente através dos relatos dos mais antigos moradores. Moradores estes, que possuíam um ritmo de vida tranquilo, vivido numa vila de pescadores com belas praias e marcado por uma densa história.

Há poucos registros que fundamentem esta trajetória, mas de uma coisa todos que residem na ilha têm uma certeza: Morro de São Paulo já foi há muito tempo um lugar tranquilo para se viver. Há mais de 30 anos atrás era uma vila simples, de pessoas pacatas, que sobreviviam exclusivamente da pesca e das lembranças de um passado glorioso. Passado este que teve início a partir de sua descoberta, em 1531, atribuida ao navegador português Martim Afonso de Souza. Nos últimos quatro séculos a ilha registrou episódios de pirataria, contrabando de mercadorias e serviu até de palco para batalhas.

Hoje pode-se dizer que é considerado um dos destinos tropicais mais procurados por turistas dos quatro cantos do mundo. A vida sossegada dos nativos começou a dar indícios de que estava prestes a mudar quando passou a receber as primeiras visitas dos chamados “veranistas”, oriundos de cidades vizinhas que atravessavam o canal em barco a vela. Nesta época, na década de 70 a energia elétrica e o telefone ainda estavam distantes da realidade dos morristas. Os moradores usavam candeeiros ou fifos a querosene. Até surgir o gerador que fornecia energia das 17h às 22h. A luz elétrica só apareceu em 1985. Na Fonte Grande as pessoas tomavam banho coletivo e a ponte do cais, onde hoje desembarcam diariamente centenas de pessoas, era um pequeno pier de madeira.

Os veranistas permaneciam durante os meses de férias, alugando as casas de nativos e alguns chegaram até a construírem suas próprias casas, situadas principalmente na Primeira Praia. Depois dos veranistas surgiram os mochileiros e hippies que divulgaram para o mundo inteiro a beleza de Morro de São Paulo e o tornaram conhecido mundialmente através de seus testemunhos. Foram através dos hippies também, que muitos estrangeiros ficaram sabendo da existência e conhecendo a ilha de Tinharé e consequentemente alguns aqui se estabeleceram, trazendo seus costumes que foram aos poucos sendo incorporados à cultura local. Muitos destes, não resisitiram as belezas naturais e trocaram a sofisticação das metrópoles pela vida rotineira da ilha.

Morro de São Paulo passou a receber turistas de todas as partes do Brasil e do mundo e as casas dos nativos foram se transformando em restaurantes, pousadas e assim nascendo toda uma infra-estrutura para atender a nova demanda chamada de turismo.

As praias originalmente tinham outros nomes. Não eram denominadas pela ordem numérica que possuem hoje. Cada uma tinha uma denominação de acordo com uma característica própria. A Primeira, que também foi a primeira praia a despontar, se chamava “Prainha”. A Segunda que foi descoberta logo após a Primeira no final dos anos 90, era “Poço da Praia”, porque realmente se parecia com um poço.

A Terceira chamava-se “Rio do Pinto”, devido à existência de uma Fazenda, até o início da Quarta Praia, cuja área era conhecida como “A Ponta”. A Quarta Praia era “Mangue Queimado” e ao final desta, no local onde existia outra fazenda que recebia o nome de “Seres”, pelo fato da filha do proprietário chamar-se assim. Já, a Quinta Praia havia originalmente dois nomes: “Mata”, logo no início e “Karapitangui”, mas para o final da praia. A Praia Ponta da Pedra sempre manteve esta denominação, já a Porto de Cima, existem alguns moradores que dizem que esta praia se chamava “Praia do Jeque”, por ter morrido um jegue no local.

Você ficará sabendo mais sobre a história de cada uma destas praias, como ocorreu a povoação, acontecimentos, pessoas que marcaram estas áreas e curiosidades no link  Praias.

Na época da Segunda Guerra Mundial, Morro de São Paulo serviu de palco para acontecimentos como o naufrágio dos navios “Arará” e “Itagiba”, que foram torpedeados pelos nazistas na costa. A comunidade socorreu os naufrágos e os mais antigos moradores ainda recordam estas lembranças e os tempos de medo por que passaram. Desses saudosos tempos até hoje, Morro de São Paulo passou por incontáveis transformações e o chamado progresso que parecia tão distante por Morro de São Paulo ser localizado geograficamente numa ilha, chegou. Com ele vieram as mudanças. Algumas boas, outras nem tanto. Algumas construções foram feitas desornadamente. Não houve uma disciplina em algumas partes de ocupações de áreas.

Talvez por falta de organização do poder público ou até mesmo por descaso da própria população que não se preocupou em desempenhar o papel de agente fiscalizador. Mas apesar desta ilha ter sofrido tantas transformações, ainda preserva o que carrega desde a época de seu descobrimento: a beleza natural.

E é esta beleza aliada à cultura eclética de seus nativos e moradores que atraem turistas do mundo todo e a torna tão especial. Morro de São Paulo foi, é e continuará sendo um dos lugares mais belos e especiais para morar. E isto é constatado por aqueles que aqui vivem e também por pessoas que visitaram a ilha.

A história de Morro de São Paulo é muito rica e inteiramente desconhecida por muitos de seus habitantes. E toda esta história, repleta de lendas e mitos, será contata nesta parte de MorroTravel. Desde seu descobrimento até os dias atuais, o processo de evolução pelo qual a ilha passou e o desenvolvimento do turismo.

Tudo baseado em poucos escritos e muitos depoimentos dos nativos mais antigos que com toda a certeza são as peças principais deste enredo e merecem todo o respeito e consideração. Foram eles que fizeram deste lugar, além de uma ilha conhecida internacionalmente, um lugar mágico para se viver e que facilmente nos apaixona.

Resta-nos agora, respeitá-los e saber cuidar da herança deixada para que possamos usufruir ainda por muito tempo deste paraíso chamado Morro de São Paulo.

Evolução Histórica de Morro de São Paulo

O Descobrimento – De 1531 a 1942

Segundo os arquivos da época a primeira pessoa a desembarcar em Morro de São Paulo foi um explorador português, chamado Martim Afonso de Souza, em 1531.

Na ocasião Martin Afonso, estava acompanhado de seu irmão Pero Lopez.

Embora isto esteja publicado na grande parte dos livros de História, existem teorias de que eles não foram os primeiros europeus a pisarem nos solos de Tinharé.

O antropólogo e escritor, Antonio Risério, em seu livro “Tinharé–História e Cultura no litoral Sul da Bahia” (BYI Projetos Culturais LTDA/2003), aborda a imediatez dos irmãos em reconhecerem o lugar e a facilidade em nomeá-lo.

O que leva a crer que antes mesmo da passagem dos portugueses, alguns navios estrangeiros podem ter circulado por estas terras. O nome dado por Martim Afonso de Souza a ilha foi “Itanharéa”, sendo mais tarde chamada apenas de Tinharé, cujo significado de acordo com a língua índigena tupiniquim quer dizer “o que se adianta na água”.

Antonio Risério, em seu livro, fala minuciosamente da importância e passagem do povo indígena pelo litoral alto sul baiano. Impossível falar da história de Tinharé, sem citar os aimorés, conhecidos também por “botocudos” (por usarem botoques labiais e auriculares feitos de madeira) e os “gueréns”. Este grupo indígena não eram índios tupis. Pertenciam ao tronco linguístico “macro-jê”. Entre seus costumes estavam a ausência de aldeias e o fato de dormirem no chão sobre folhas. Sobreviviam da caça e da pesca. A colonização do litoral baiano teve início a partir das Capitânias Hereditárias, que se tratavam de imensas extensões de terra doadas por D. João III, rei de Portugal na época, a representantes com poder aquisitivo alto da iniciativa privada.

Em 1534, o território baiano foi dividido em três capitânias, sendo uma dessas a Capitânia de Ilhéus, que abrange a Costa do Dendê, onde fica o arquipélago de Tinharé.

Morro de São Paulo começa a ser citado historicamente no ano de 1535, quando o tenente Francisco Romero, partiu de Lisboa para a Costa do Brasil, ancorando seus navios e desembarcando na Ilha de Tinharé. Aportou na ilha juntamente com alguns barcos e colonos visando estabelecer ali a sede da Capitania. Assim surgiu a primeira povoação européia da Capitânia de Ilheús, uma das primeiras do atual Estado da Bahia e uma das mais antigas de todo o Brasil. Francisco Romero mudou os planos de tornar Morro de São Paulo a sede da Capitania quando percebeu que as terras de Tinharé não eram propícias ao cultivo da cana de açúcar.  Francisco Romero rumou a outros destinos e fundou a Vila de São Jorge dos Ilhéus.

Mesmo não tendo sida escolhida como sede da Capitânia, Morro de São Paulo foi a partir de 1535 efetivamente colonizado e sua denominação deve-se pelo fato do desembarque de Francisco Romero com sua frota ter ocorrido justamente no dia de São Paulo, dia 25 de janeiro, data segundo o calendário da Igreja Católica correspondente a conversão de São Paulo. Já a denominação “morro” é explicada pela geografia acidentada da região. Nesta época, estas localidades formavam a Capitânia de Ilhéus e auxiliavam com homens e produtos alimentícios a reação baiana às invasões. Foi dentro deste contexto que surgiu a idéia das autoridades coloniais em construírem uma fortaleza nesta região com o propósito de defender a capital de ataques estrangeiros, então, o Governador Diogo Luis de Oliveira deu início à construção da Fortaleza de Tapirandu, em Morro de São Paulo, em 1630.

Anos mais tarde, de acordo com registros, Morro de São Paulo abrigava uma guarnição com 51 peças de artilharia, 183 homens e uma muralha de quase mil metros de extensão. Em 1730, a Fortaleza foi ampliada por D. Vasco Fernades César de Menezes, conhecido como Conde de Sabugosa, com o objetivo de tornar a ilha posto fiscal e militar. No início do século 17, o capitão Lucas Saraiva da Fonseca fixou residência em Morro de São Paulo e ao lado ergueu uma capela, pedindo proteção a Nossa Senhora da Luz.

Registros apontam que neste período havia poucas casas que ficavam situadas junto a Praça Aureliano Lima e na rua que levava a praia. As poucas moradias existentes nesta rua eram pertencentes aos nativos e aos soldados da Fortaleza.

Em Cairu, Boipeba e Morro de São Paulo começaram a surgir os conventos, casas, sobrados praças e igrejas. Após a fase das invasões holandesas, os aimorés ou botocudos voltam a atacar na região e agora chamados de “gueréns”, denominação que estes índios tinham nas terras de Porto Seguro. Os gueréns causaram medo e travaram inúmeros combates durante décadas na Capitânia de Ilhéus e consequentemente converteram as vilas de Cairu e Boipeba em pobreza. Neste período entraram em cena a mando das autoridades coloniais, os bandeirantes paulistas. João Amaro, um destes bandeirantes, foi destinado para Cairu em 1671 e até 1673 esteve na Vila e conseguiu apaziguar e por fim as intermináveis lutas dos gueréns.

Após o período de batalhas e de ser considerado como zona franca e ponto de passagem de aventureiros e contrabadistas, Morro de São Paulo passou a produzir farinha de mandioca. No século 17 muitos navios que vinham de Portugal e da Angola costumavam fechar negociações clandestinas antes de entrar na costa da Baía de Todos os Santos. As vilas do litoral sul passaram a ser as fornecedoras para Salvador e para as vilas do Recôncavo, inclusive, o antropólogo Antonio Risério, faz uma citação em seu “Tinharé–História e Cultura no litoral Sul da Bahia”-Capítulo 14- Pág.127, que define muito bem a situação dos povos do litoral sul nesta época: “O morador de Ilhéus, Cairu, Camamu ou de Boipeba é agora, economicamente, uma espécie de índio do morador da Bahia de Todos os Santos e terras circunsvizinhas....”

Por volta de 1670,  o governador Afonso Furtado proibiu a construção de engenhos e as plantações de canaviais nas vilas do litoral sul, visando que todas as forças de trabalho fossem concentradas no cultivo da mandioca. Somente um engenho ficou existindo, por tratar-se de ser muito antigo e de propriedade de Antônio de Couros, em Cairu. Posteriormente, surgiu a época da extração da madeira e as matas do alto-sul da Bahia tiveram suas árvores tombadas para a construção de navios e para reparo das armadas da Baía de Todos os Santos. As praias do litoral do sul da Bahia foram recebendo os europeus, mais tarde os negros, cobrindo-se de novas espécimes vegetais, conhecendo novos bichos e novos estilos arquitetônicos.

Apesar de não ser a região que tenha concentrado o maior número de escravos, estas vilas tiveram a maior incidência de formação de quilombos, de acordo com Stuart Schwarz, que afirma em seu livro “Escravos, Roceiros e Rebeldes”, isto se explica pelo fato de que estas vilas se encontravam enfraquecidas e não tinham como bloquear a entrada de negros fugitivos. Cairu registra a presença de quilombos em sua história e apesar de ser considerado um local de difícil acesso, não impediu que os quilombos de se fixarem na região e permanecerem, até o final do século 17, deixando estas comunidades sob ameaça constante.

Segundo registros existiu uma denúncia em 1846 em relação à existência de uma irmandade negra, denominada de “Irmandade de São Benedito”, cuja sede seria na igreja franciscana local. Nos tempos que nem gueréns, nem os quilombos amedrontavam a região, as vilas começavam a retomar a rotina de sobrevivência. Citamos mais uma vez Antonio Risério, que aponta que o Censo de 1780 revela que naquela época existiam em Cairú quatro mil habitantes e em Boipeba, 3.300.

Pode-se dizer que no século 18 Morro de São Paulo resumia-se territorialmente a uma única rua, que ligava a capela à praia. Com o surgimento da Fonte Grande, no ano de 1746 apareceu outra rua.

Embora o Brasil tenha ficado independente de Portugal em 1822, a Bahia somente conquistou sua independência no dia 02 de julho de 1823. Os portugueses recusaram-se a entregar a Bahia ás províncias nordestinas e a região amazônica e a partir dai travaram-se batalhas portuguesas e brasileiras até o desfecho desta história, que na Bahia terminou em 1823 com a retirada dos portugueses das terras e a incorporação do estado baiano ao estado Nacional.

A participação do litoral alto-sul, especificamente das vilas de Cairu, Boipeba e Morro São Paulo, foi importante nesta conquista principalmente no que diz respeito a Fortaleza de Tapirandu. Segundo anotações pessoais, o imperador D. Pedro II, visitou a ilha em 1859, juntamente com a Família Real. Nesta ocasião, de acordo com seus apontamentos, Dom Pedro II relata que viviam na ilha cerca de 300 famílias. Existem documentos que revelam um suposto banho do imperador na Fonte Grande, em companhia da Marquesa de Santos.

No final do século 20, o povoado de Morro de São Paulo perdeu sua importância estratégica e militar, transformando-se numa pacata vila de pescadores. A explosão dos cacaus na Bahia, registrada a partir da década de 1950, não atingiu as terras de Tinharé. Enquanto Ilhéus progredia e ganhava com as novidades urbanas, a Ilha de Tinharé registrava um panorama econômico paralisado com seu vilarejo de pescadores. Já neste período também, Morro de São Paulo oferecia segurança à navegação regional devido à presença do Farol e passa a sofrer com o medo ocasionado pela Segunda Guerra Mundial.

 Agosto de 1942 -

Os reflexos da Segunda Guerra Mundial no povoado de Morro de São Paulo.

Morro de São Paulo ressurgiu no cenário brasileiro no período da II Grande Guerra, entre 1941 a 1945. A guerra estourava na Europa, mas o vilarejo de Morro de São Paulo, situado à milhas de distância, sentiu as consequências de maneira muito próxima.

O povo sentiu-se acoado o tempo inteiro. Este distanciamento geográfico e ao mesmo tempo esta proximidade com a guerra: o medo, a angústia, é explicado em função da ausência de notícias, pois não havia meios de comunicação na comunidade e também pela dificuldade de deslocamento, pois o tempo da viagem até a cidade de Valença que era a mais próxima podia durar quatro horas em barco a vela, dependendo das condições do mar. O medo dos habitantes de Morro de São Paulo também é atribuído a uma leitura própria, de acordo com o historiador e mestre em História Social, Augusto César M. Moutinho.

Esta leitura na verdade se estabelece em função de elementos culturais já segmentados na comunidade, por exemplo, o medo que sentiram em 1942 não é algo novo na população. A concepção de medo atingiu uma forma reconhecida pela comunidade, ou seja, eles conhecem o medo desde os primeiros tempos da colonização, através das tentativas de invasões dos holandeses. “Este medo é rememorável o tempo inteiro e a comunidade faz coletivamente uma releitura”, explica Moutinho.

Também professor da Faculdade de Ciências Educacionais (FACE), Moutinho é autor do livro: “A Sombra da Guerra” (Salvador/Quarteto,2005). A idéia em escrever o livro surgiu primeiramente como forma de dissertação do Mestrado de História e depois sim o livro que foi publicado em 2004. Sua família é nativa da ilha e ele conta que sempre ficava conversando com os mais velhos, sentado nas escadarias da Igreja Nossa Senhora da Luz, enquanto pegavam uma brisa fresca. Em meio a tantos outros temas, um era referência imediata na memória dos nativos, a Segunda Guerra Mundial.  Estas conversas despertaram o interesse em falar sobre o assunto. A intensão do livro foi discutir as particularidades da comunidade.

A referência, argumenta o historiador, se dá por conta das grandes dificuldades da época, da alimentação e do medo. “Eles estavam praticamente isolados em termos geográficos e construíram uma noção de guerra extremamente particular e interessante”, ressalta. Nestas conversas com os antigos nativos, este conceito de medo sempre vinha à tona. E conforme Moutinho, é interessante falar também, talvez seja uma contradição, do saudossismo. E como a memória desobedece ao tempo e ao espaço, ele acredita que este saudossismo esteja relacionado as teias de solidariedade, aos bons tempos da ausência do capital, mas da liberdade de autônomia e da unidade familiar. De acordo com o livro e também alguns relatos de nativos que viveram nesta época, agosto de 1942 foi um período trágico mundialmente e particularmente para Morro de São Paulo, foram três dias de sufoco no litoral baiano.

Os moradores foram pegos de surpressa. A comunidade ficou abalada com os afundamentos dos navios brasileiros “Itagiba” e “Arará” que ocorreram aproximadamente 12 ou 15 milhas rumo leste da costa. “Foi terrível porque as pessoas chegaram muito machucadas, em baleeiras.

Alguns já mortos, recorda a senhora Elze Moutinho Wense, 77 anos, nativa. Ela reforça a teoria do medo, definindo este período como sendo o “tempo do medo”. “Qualquer coisa diferente que acontecesse a gente sentia medo. “Não podia deixar luz acessa nas casas à noite para evitar sinal de que havia gente”, conta. Existia um receio muito grande da inclusão de submarinos. Dona Zezé lembra do episódio de uma barcaça carrregada de bananas, que estava viajando rumo a Salvador e foi torpedeada. A carga foi toda roubada.

O naufrágio dos navios fez a comundiade sentir-se apreensiva, ansiosa e amedrontada. Os feridos passaram uma noite em Morro de São Paulo e depois foram levados no dia seguinte para a cidade de Valença, no prédio do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Fiação e Tecelagem, onde existia a antiga Recreativa (construção arquitetônica em estilo neoclássico que serviu como primeiro banco de sangue do estado nos anos da Segunda Guerra Mundial). Houve uma espécie de vontade coletiva de prestar socorro às pessoas. A noite que pernoitaram em Morro de São Paulo, os sobreviventes da tragédia dormiram na antiga casa de seu Manuel Elisbão, situada na Praça da Amendoeira, na Vila, parte central da ilha.

Segundo algumas narrativas, na verdade não se sabe as dimensões disso, mas um carrasco alemão, destacado por Hittler para atacar esta parte do litoral da Bahia, tinha como técnica torpedear, submergir e atirar ainda nos naufrágos. Segundo alguns relatos isto era muito comum e acabou chegando naquele momento à comunidade de Morro de São Paulo.

Paralelo a este acontecimento dos torpeamentos e naufrágio dos navios, havia as medidas governamentais como o blecaute parcial e total do litoral. O medo povoa a noite, então, nesta parte do dia era muito complicada para os nativos, que tinham o hábito de pescar com fachos de luz (pedaços de pau com fogo na ponta que serve para iluminar a pesca noturna). Isto já não era mais possível, fazendo com que a capacidade de sustentabilidade da comunidade diminuísse notoriamente. Os alimentos começaram a ser racionados. “Quando íamos para Valença fazer feira trazíamos poucos alimentos”, recorda Dona Zezé. 

Seu Valencio Inato Manuel do Nascimento, conhecido como Dandão, 85 anos também outro antigo morador e pescador da ilha, guardou na memória os tempos de pavor vividos em 1942.  Ele recorda que quando pescava na ilha do Caitá, na Terecira Praia, ouvia os estouros vindos de perto da costa.

Para concluir o episódio das consequências da Segunda Guerra em Morro de São Paulo, o historiador Augusto César M. Moutinho aponta ainda outra questão: o mito reconstituído. O homem do litoral sempre conheceu o piatatá, que na perspectiva do pescador era uma bola de fogo que percorre o horizonte e mata todo mundo. Dona Mariinha, outra antiga nativa, já falecida, também foi ouvida por Moutinho na elaboração de seu livro.

Em alguns de seus relatos quando falava especificamente dos alemães, Dona Mariinha misturava os elementos, dizendo que os submarinos lançavam fachos de luz no céu e clareavam tudo. Inconscientemente, a antiga moradora referia-se a figura do piatatá.

Outro exemplo e segundo o autor o mais impressionante de todos, está no relato desta mesma senhora ao falar do tempo da colonização, uma releitura de um mito criada no tempo da invasão holandesa, em 1624. Conta à lenda que o nome dado a uma parte da Fortaleza de Tapirandu, onde fica o Forte de Santo Antônio, é atribuído ao fato de que na época da guerra, tentaram invadir  Morro de São Paulo e Santo Antônio colocou várias velas acessas no curso da Fortaleza.

Isto assustou e espantou os invasores. Ela dizia que seus antepassados contaram esta história a ela. Estes elementos estão presos na memória do nativo e são agregados a cultura local. Quando se discute o contexto das invasões holandesas ou da Segunda Guerra Mundial, se discute também estes elementos. Conforme Moutinho, estes elementos dizem respeito ao cotidiano das pessoas. “Não é abstração, se enxerga isto na prática e é isto que torna a História mais saborosa e agradável, não lidando somente com datas e sim com fatos e pessoas

O surgimento do Turismo

E a história prossegue. Quatro séculos depois da colonização lusitana, Morro de São Paulo começa a dar os primeiros indícios de que estava nascendo uma nova era. A era do turismo.

A partir de 1960 a ilha passa a apresentar os primeiros sinais do progresso, recebendo as visitas de pessoas que moravam em cidades vizinhas. Eram os chamados veranistas, famílias de classe média alta vindas das cidades baianas de Gandu, Valença, Cruz das Almas e da capital, Salvador. Alguns eram fazendeiros de cacau que construíram suas casas para passar as férias, geralmente os três meses do verão, e principalmente localizadas na Primeira Praia e na Vila. Neste tempo, os veranistas costumavam trazer mantimentos para trocar com os moradores.

“Havia uma integração muito forte, uma troca carinhosa”, enfatiza a ex-diretora de Cultura e Turismo da extinta Secretaria Especial de Morro de São Paulo, Lena Wagner. Ela veraneava em Morro nesta época e lembra da solidariedade e integração que havia na comunidade. 

Nesta época para viajar até a cidade de Valença se levava no mínimo três horas. O motivo é que o meio de transporte utilizado era o barco a vela. A pesca era abundante. Na vila havia somente poucas casas e a Igreja Nossa Senhora da Luz. Morro de São Paulo era um vilarejo e seus habitantes tinham uma vida simples, sem energia elétrica e os privilégios do progresso.

Em meados de 1970, Morro ficou conhecido mundialmente por receber a visita de comunidades hippies, que acampavam na beira da praia e arredores da Vila. Derepente quando os mochileiros descobrem as belezas naturais e vão chegando com costumes adversos, os veranistas, alguns mais conservadores, começam a se afastar.

Lena Wagner lembra que alguns veranistas recomendavam que os moradores não deveriam conversar com os hippies. “Marginalizavam a questão”, ressalta Lena. Mas havia muita curiosidade por parte dos que viviam aqui e os nativos se introssavam com estas pessoas com hábitos, digamos, um pouco diferentes. Alguns veranistas se afastaram da ilha neste período, foram para outros lugares. Alguns fecharam suas casas e até hoje as mantém, servindo ainda como casa de veraneio.

 Fonte: Restaurante Tia Dadai - Arq. pessoal: Rest. Tia Dadai

Em 1980, segundo alguns nativos, havia menos de 10 casas de veranistas situadas na beira da Primeira Praia. A principal atividade econômica do povoado ainda era a pesca e já começava a receber um aliado, o turismo.

Nestes tempos não havia luz elétrica, e sim um gerador a diesel que permanecia ligado somente até às 22 horas. Nas demais praias, hoje chamadas de Segunda, Terceira e Quarta, havia apenas grandes fazendas, onde plantava-se coco, piaçava e dendê. Saiba mais sobre a história e desenvovlimento destas praias no link Praias A energia elétrica surgiu em 1986 e o telefone em 1988.

Segundo reportagens de jornais da época, a chegada da energia elétrica a Morro de São Paulo é atribuída a um estrangeiro. Um russo chamado Aleixo Belov, navegador, foi o responsável pela implantação da luz elétrica, através da construção de um cabo submarino de 870 metros.

Durante a década de 80, o turismo se intensifica e Morro de São Paulo recebe uma grande quantidade de turistas e investidores. A partir daí, os habitantes veêm o pequeno povoado se transformar turistícamente e suas vidas mudam. Nesta época, deram-se o aparecimento dos grandes investimentos como hotéis, pousadas, restaurantes e outros estabelecimentos comerciais.

Fonte: prainha antiga - arquivo pesoal Juliana GoésNa década de 90 o turismo em Morro de São Paulo é considerado atividade lucrativa, fazendo com que surja o turismo de massa e o aparecimento de novos moradores, inclusive estrangeiros, que vêm para Morro de São Paulo à procura de trabalho e dinheiro. Houve uma proliferação dos meios de hospedagem, foram criadas as pistas de pouso, surge a especulação imobiliária e indisciplinamente Morro de São Paulo cresceu. E aí vem a pior parte desta história: foram surgindo os problemas ambientais.

Morro de São Paulo recebeu o impacto do turismo diretamente em suas belezas naturais, ocasionados grande parte pela falta de cuidados da própria comunidade e pelo descassso e inexistência de uma política administrativa.

Em 1992 surgiu a primeira tentativa de preservação do meio ambiente: a criação da Área de Proteção Ambiental das Ilhas de Tinharé e Boipeba (APA), na ocasião da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a ECO-92, no Rio de Janeiro. A criação da APA de Tinharé-Boipeba¸ abrange 433 km² e deu-se pela necessidade de proteção da vegetação (Mata Atlântica e Restinga), encontrada nestas áreas.

A APA compreende os distritos de Galeão e Gamboa, e as vilas de Morro de São Paulo, Garapuá, São Sebastião (também conhecida como Cova da Onça), Moreré e Canavieiras.

Fonte: Veranistas - arquivo pesoal Juliana Góes

O censo de 2007, realizado pelo IBGE, acusou um total de 3.863 moradores existentes em Morro de São Paulo, sendo que 975 pertencem a localidade do Zimbo. 

Hoje dos moradores, a maioria não são nativos. São oriundos de outras cidades da Bahia e também de outros estados do Brasil, como Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.

Conforme dados da Bahiatursa, órgão responsável pelo turismo na Bahia, a oferta hoteleira do Arquipélago de Tinharé em 2008 era de 6.558 leitos.

Morro de São Paulo é a localidade com maior número, 5.033 leitos. Boipeba está em segundo lugar, com 866 leitos e após seguem outros povoados como Gamboa com 279, Moreré com 157 e Garapuá com 116.

 Fonte: arquivo pessoal

O restante da ocupação está em Cairú e arredores.

Muitas pessoas chegaram, algumas foram embora. Outras se fixaram e formaram famílias. Mas todas deixaram alguma coisa que marcasse sua presença e fizeram aqui um pouquinho de sua história.

E essa história de todos é a memória viva de Morro de São Paulo e que você também está ajudando a construir.

Alguns episódios destas vidas narramos a seguir no link A Ilha e seu Povo. A trajetória dos que fizeram e viram Morro crescer e o transformarm neste grande pólo turístico que é hoje.

A ilha e seu povo

Tabela de Conteúdos

 1.1 - A vida dos nativos de Morro de São Paulo

1.2 - A descoberta e os pioneiros

1.3 - As primeiras baladas

1.4 - Os estrangeiros

1.5 - O progresso e suas consequências

1.6 - Os Personagens da Ilha

 1.6.1 - Bada, O xerife do Morro

 1.6.2 - Foom, o vendedor de pastéis que encanta

 1.6.3 - A Educadora

A vida dos nativos de Morro de São Paulo::

No passado os nativos de Morro de São Paulo viviam numa verdadeira comunidade e ganhavam a vida das riquezas naturais do local. Um povo pacato e hospitaleiro que morava numa vila simples e sobrevivia exclusivamente da pesca e das lembranças de um passado glorioso. Passado marcado pelos conflitos dos índios gueréns e pelas ousadas invasões holandesas.

Mas não é esta luta que vamos narrar aqui e sim, a luta da sobrevivência, a garra e perseverança dessa gente que fez Morro de São Paulo crescer e se projetar turísticamente. Morro de São Paulo iniciou sua trajetória rumo ao lugar, que conhecemos hoje movido unicamente pela força de vontade de seu povo. Quando Morro de São Paulo era ainda uma vila, isto por volta da década de 50, a maioria das pessoas que morava na ilha, além da pesca tinham as profissões de pedreiro e carpinteiro. Alguns ainda trabalhavam nas caieiras nas fazendas da Terceira Praia.

A comunidade se alimentava basicamente do que retirava do mar: peixe, lagosta e polvo. A carne vermelha nestes tempos era considerada um luxo e só estava presente no prato dos nativos uma vez por semana devido as dificuldades em adquirir a mercadoria. O transporte era precário e feito com barco a vela. Alguns contam que o tempo do percurso até Valença, cidade mais próxima, podia chegar até quatro horas de viajem sendo que havia barco somente uma vez por semana. O barco partia de Morro de São Paulo na sexta-feira e retornava no sábado. No final dos anos 70 surgiu o barco a motor.

A partir daí o transporte melhorou e os barcos ofereciam a viagem todos os dias, mas somente num único horário, às 6h30min. As primeiras empresas de barcos convencionais, segundo os nativos, foram a Biônica e a Marbel. Domingos dos Santos Ramos, com 67 anos em 2008, conhecido como Seu Chiquinho relata que nestes tempos seu pai, Domingos Olentino Ramos, comprou um barco, colocou motor na embarcação e quando viajava para Valença comprava mantimentos para os vizinhos.

Seu Chiquinho conta também que a primeira pessoa responsável pelo abastecimento de água para a comunidade foi seu pai e tudo começou nas terras da família, localizadas na Primeira Praia, mais precisamente na Rua da Prainha.

Ele lembra que as terras foram vendidas pelo do ex-prefeito de Valença, Gentil Paraíso. Seu Domingos teve a sorte de ter no local um barranco que pingava água. Isto lhe deu a idéia de fazer uma escada de bambu, um tanque e começou a ter água para as necessidades da casa. Os vizinhos foram pedindo água também e ele foi fornecendo.

Até que um dia colocou uma tubulação até a lagoa, mas o projeto não contava com bomba, a água descia naturalmente por desnível e abastecia a Prainha, na época era esta denominação da Primeira Praia. Seu Domingos levou o trabalho por muitos anos até o dia em que teve que parar devido problemas de sáude. Com a ausência do pai, que acabou falecendo, Seu Chiquinho deu continuidade ao trabalho e ficou sendo o responsável pelo abastecimento de água de parte da comunidade de Morro de São Paulo. Comprou motor, colocou tubulação pelas ruas e abastecia a Vila e a Prainha. O problema segundo ele, era receber o pagamento dos beneficiados com a água. Até algum tempo atrás ainda existiam antigos recibos, ou seja, as dívidas. A iniciativa chegou ao fim com a instalação da Embassa e o sistema de abastecimento de água canalizada.

Nesta época, Seu Chiquinho perdeu o cargo de fornecedor de água da comunidade de Morro de São Paulo, função que desempenhou por 17 anos.

As dificuldades enfrentadas entre as décadas de 50 e 60, fizeram alguns nativos tentarem a vida fora da ilha. O problema em manter uma professora no povoado, levou muitos moradores para o continente em busca de Educação. Como exemplo, citamos Manuel Paulo Santos, com 58 anos em 2008.

Ele conta que as pessoas queriam sair daqui para tentar algo lá fora, como estudar e trabalhar. Alguns acabavam voltando como ele. Dos 16 aos 36 anos de idade, Seu Manuel esteve em Salvador. Ao voltar constituíu família, sua esposa se chama Maria de Lourdes Santana, e abriu sua barraca na Primeira Praia (veja como foi esta trajetória no link Praias. Romenil dos Anjos Luz, com 67 anos em 2008, descendente de uma das mais antigas e tradicionais famílias de Morro de São Paulo também percorreu o mesmo caminho.

Fonte: Pescadores + foto do Frame superior:

Saiu de Morro de São Paulo aos 20 anos, por volta de 1963 e retornou em 1993. Foi morar no Rio de Janeiro e casou-se. Mas apesar da distância, Romenil sempre manteve laços com sua terra, através da família e dos amigos que aqui ficaram. Veraneava todos os anos em Morro de São Paulo e durante o tempo em que esteve fora, investiu pensando no futuro e na sua aposentadoria. Construiu uma pousada e hoje vive sossegadamente com seu próprio negócio.

Mas se por um lado houve aqueles que como os senhores  Manuel e Romenil, que buscaram novos horizontes, deixando a vida pacata do vilarejo, existiram os que faziam questão de morar no povoado mesmo com todas as dificuldades. O motivo desta escolha, segundo contam muitos destes antigos moradores, se deve a vida que levavam. Vida tranquila, sem incomodações.

A única preocupação era com a busca da alimentação. Época em que para viajar até Salvador em barco a vela o tempo do percurso poderia durar até dois dias, dependendo das condições climáticas. Isto quem nos conta é o senhor Reginaldo Ramos Batista, com 83 anos em 2008. “A viagem era sempre devagar, quando não tinha vento ficávamos parados esperando”, lembra. Seu Reginaldo chegou em Morro de São Paulo no ano de  1945  e diz que na Vila haviam poucas casas e a maior destas era o casarão, que até hoje permanece no mesmo local onde foi erguida (veja sua história no link Monumentos Históricos/Casarão).

Não havia energia elétrica, cuja chegada foi em 1985. A luz que clareava as casas à noite vinha do querosene das lamparinas. Outro invento da modernidade, o telefone, chegou por volta de 1988 e segundo alguns moradores o único telefone existente em toda a ilha, ficava situado na Fonte Grande,  na casa de um senhor chamado Aureliano Lima, o Seu Bonzinho como era conhecido. Seu Bonzinho foi um ilustre morador de Morro de São Paulo e tem inclusive o nome de uma praça em sua homenagem. Nestes tempos devido a existência do telefone, sua casa se transformou num verdadeiro posto telefônico. A primeira telefonista foi Ana Lúcia Melo Damascena. Dona Ana lembra que as filas eram quilométricas, existia somente uma linha telefônica e não havia cabine. “Todo mundo ouvia o que se falava”, saliente. 

Dona Ana relata que sabia sobre a vida da maioria dos moradores, mas sabia guardar os segredos. Também nesta época havia uma única padaria no povoado, a de Seu José, chamado de Zé Preto. Um padeiro engraçado, pois segundo nos contam alguns moradores destes tempos, Seu Zé Preto fazia o pão na hora que lhe dava vontade, não tendo hora marcada.

Fonte: Pescadores - Arquivo Pessoal Romenil

Outro fato curioso e que desperta muitas saudades por parte dos antigos moradores de Morro de São Paulo, tinha como palco a Fonte Grande. Pelos meados de 1960, alguns contam que até o final da década de 70, havia o hábito dos moradores tomarem banho a partir das 17 horas na Fonte Grande.

Os habitantes dividiam-se entre os homens e mulheres. “Quase toda população tomava banho ali e durante o dia lavavam roupa”, recorda Elze Moutinho Wense, com 77 anos em 2008. Conhecida como Dona Zezé na comunidade, ela lembra que nestes tempos o ambiente era muito sadio, o povo era muito unido e as pessoas se ajudavam, todos muito envolvidos na religiosidade.

Durante o verão, comunidade e os veranistas participavam ativamente das festas promovidas na ilha. A antiga moradora aponta como sendo a única e principal, a festa em homenagem a Nossa Senhora. da Luz, comemorada anualmente dia 08 de Setembro.

Angelina Machado Pimentel, a Gegé, com 52 anos em 2008, também guarda lembranças destas festas. “Ninguém tinha vaidade. Colocáva-mos um vestidinho novo para a festa e pronto”, salienta.

Fonte: Pescadores - Arquivo Pessoal Romenil

As crianças corriam soltas, ainda mais do que hoje, pelas ruas de terra e os habitantes dormiam com as portas de suas casas abertas. Apesar de que em Morro de São Paulo não há registros significativos de violência, naquela época era bem mais tranquilo. Valencio Inato Manuel do Nascimento, Seu Dandão, com 85 anos em 2008, recorda estes áureos tempos. Segundo ele, se alguém estivesse na rua á noite, chovesse e esta pessoa desejasse tirar a roupa molhada, poderia se despir tranquilamente, pois não correria o risco de alguém registrar este atrevimento. Seu Dandão trabalhou muito tempo como vigilante do Farol, mais de 20 anos, segundo ele. Era ele quem ligava, desligava e tomava conta do Farol. Casado e com seis filhos, ele hoje mora com sua esposa, Isaura Batista da Conceição, com 83 anos em 2008, na Mangaba e a idade avançada e a saúde um pouco debilitada já não permitem que eles transitem pelas ruas. Passam a maior parte dos dias em casa.

 A descoberta e os pioneiros

O ambiente sossegado encontrado no antigo vilarejo de pescadores foi aos poucos se modificando e as dificuldades dos nativos desaparecendo pela entrada de capital e aparecimento de novas frentes de trabalho. Este quadro começou a despontar quando surgiram os primeiros veranistas. Como já narramos no link A História de Morro de São Paulo / O surgimento do Turismo, estas pessoas hoje chamadas de turistas, eram originárias de cidades próximas à ilha e veraneavam em Morro de São Paulo, ficando no lugar até três meses durante o verão. A chegada e a permanência destes veranistas mudaram os hábitos dos nativos e fizeram com que estes criassem alternativas de sobrevivência além da pesca e das profissões na área de construção. Os moradores de Morro de São Paulo passaram a oferecer suas próprias casas e em alguns casos a falta de acomodações fez com que até as redes servissem para os turistas pernoitarem.

Os nativos dormiam nas varandas e nas cozinhas para poder alugar os quartos da casa e assim ganhar um dinheiro. Houve também casos de veranistas que se instalaram em Morro de São Paulo, construíndo suas próprias casas de férias. Para reforçar esta demanda, surgiram na década de 70 os hippies, que eram pessoas de hábitos simples e de costumes desgregrados, que viviam em grupos e normalmente acampavam nas praias. Nesta época, segundo contam alguns moradores, surgiram às primeiras iniciativas para atender as pessoas que visitavam a ilha. Os nativos adaptaram-se às mudanças e criaram seus próprios negócios.

Dona Romilze Teófila Batista, com 73 anos em 2008, mora há 54 em Morro de São Paulo e foi, segundo contam os antigos habitantes, a primeira pessoa a abrir um restaurante no povoado. Chamado de “Restaurante Gaúcho” e localizado na parte central, na Vila, era o único restaurante em Morro de São Paulo no ano de 1982. Nesta época, Dona Romilze fez uma parceria com algumas amigas da cidade de Valença, que traziam turistas para almoçar em seu restaurante. Ela conta que junto com o marido, Reginaldo Ramos Batista, com 83 anos em 2008, pescava e vendia os peixes na cidade de Valença ou até mesmo no Mercado Modelo, em Salvador. O dinheiro da venda era usado para comprar ítens e investir no restaurante e na casa.

No restaurante havia duas mesas de sinuca e uma geladeira movida a gás. Com o tempo e a melhora nas finanças, montou um mercadinho junto ao restaurante, segundo ela, também foi o primeiro mercado de Morro de São Paulo. Romilze mantém viva na memória, as recordações destes tempos em que alguns nativos se concentravam ao redor das mesas de sinuca e provavam as “pingas”. Tempos de luta para a sobrevivência do dia-a-dia que deixaram, além das marcas nos rostos, momentos inesquecíveis. “Quando eu vendia peixe no Mercado Modelo de Salvador fui entrevistada por uma revista nacional (Veja). Não tenho mais esta revista”, lamenta Dona Romilze.

Mas não precisa, Dona Romilze. Vemos nos seu rosto as marcas de um passado batalhador. “Minha vida foi dura”, ressalta. Tudo o que tem e conquistou até hoje é fruto de seu trabalho e tantos anos de perseverança lhe deram uma vida mais confortável. Hoje ela e o marido vivem da renda de duas pousadas e alugam quartos para moradores. Apesar da tranquilidade financeira, Seu Reginaldo até o ano de 2008 cortava e carregava lenha. É o hábito do trabalho, uma característica marcante e predominante do povo de Morro de São Paulo.

Outro exemplo da batalha pela sobrevivência, vem na área da gastronomia e também despontou neste período. Hoje é um dos mais conhecidos e frequentados restaurantes da ilha, o Restaurante da Tia Dadai.

Maria Madalena Santos Costa, com 61 anos em 2008, a Dadai como é conhecida em Morro de São Paulo, foi também uma das primeiras moradoras em fazer da comida baiana o seu ganha pão. Depois que fechou a barraca na Primeira Praia, que pertencia á sua mãe, Dona Mariinha, foi aos poucos abrindo o restaurante. Primeiro construiu a casa para morar, depois foi servindo café da manhã para turistas.

Dadai lembra exatamente a data que foi aberto o restaurante: dia 10 de julho de 1993. A partir deste dia foram surgindo os primeiros fregueses vindos da capital e cidades vizinhas, que foram provando os quitudes de Tia Dadai e assim tornaram o restaurante conhecido. Entre os clientes estavam jornalistas de Salvador que divulgaram o restaurante pela capital baiana.

O Tia Dadai teve até a visita de clientes ilustres como o apresentador Jô Soares, que em uma matéria ao Jornal A Tarde, comenta sua visita ao estabelecimento e elogia o tempero desta baiana de Morro de São Paulo.

A matéria foi guardada e está na parede, onde é exibida com orgulho pelo atual proprietário, Ivan Pereira Riberio, que arrenda o restaurante desde 2004. Apesar de não ser mais proprietária, Dadai, pesca diariamente e faz todo o trabalho de casa. Tem somente uma queixa: a saúde que está começando a incomodá-la.

Fonte: Materia tia dadai arq. pes. Rest. Tia Dadai

As primeiras pousadas surgiram na década de 80 e conforme alguns antigos moradores a primeira pessoa foi uma paraíbana chamada Gracinha, proprietária da pousada “Sil do Mar”, localizada no caminho do Farol. Outra pioneira neste setor foi Angelina Machado Pimentel, a Gegé que abriu sua pousada em 1986.

Nativa de Cairu, Gegé veio aos 21 anos de idade morar em Morro de São Paulo. Como não se adaptava a vida sossegada, sem novidades, segundo ela mesma conta, seu sogro o “Seu Bonzinho” (Aureliano Lima) fazia e comprava tudo para tentá-la manter na ilha. “Eu fui a primeira pessoa a ter uma geladeira movida a gás, uma televisão também movida a bateria”, conta orgulhosa.

Fonte:

Veranistas Arq. Pes. Juliana Goés

Morro na dec. 80 - Arq. Pes. Leila Chaves Costa

Com o passar do tempo, Gegé comprou um terreno na Fonte Grande e começou a construir sua casa e a pousada. Ela mesma carregava tijolos e brita com a ajuda dos burricos. Preparava o cimento, enquanto o marido levantava as paredes. A denominação pousada era desconhecida por Gegé. Para ela, o empreendimento significava apenas uma maneira de ganhar um dinheiro para sobreviver.

Os primeiros turistas que se hospedaram, uma equipe de médicos, até hoje são seus amigos e ainda frequentam a pousada. Aos poucos foi construindo, se separou, mas ficou com uma parte da casa e até hoje vive no local. Ampliou e transformou numa verdadeira pousada e hoje conhece muito bem o significado da palavra.

As primeiras baladas

Morro de São Paulo mantém desde o início do seu despertar turístico, a fama de lugar agitado e point dos descolados. As festas mais badaladas da ilha se concentravam até alguns anos atrás, na Segunda Praia (leia o link Praias / História da Segunda Praia) e alguns dos responsáveis por esta trajetória de festas, vivem até hoje em Morro de São Paulo. Alguns ainda levam a vida promovendo eventos, já outros se dedicam a projetos diferentes.

O baiano Jorge Gramacho é um destes incentivadores culturais responsáveis pelo surgimento e início das festas em Morro de São Paulo que marcou uma época na história da ilha. Natural de Salvador, Gramacho veio conhecer Morro no ano de 1987.

Antes disso, tinha uma vida urbana, convivendo com trânsito e poluição. Nunca imaginava que viver dentro de um lugar como Morro de São Paulo fazia diferença e faz até hoje, segundo ele nos conta.

Na época em que chegou na Segunda Praia haviam duas barracas localizadas no início e no final da praia. No centro da praia ficava existia um ponto, que hoje é de sua propriedade.

Na ocasião, o ponto estava arrendado por uma amiga e conhecendo o local, Gramacho lembra que ficou deslumbrado.

Fez uma proposta e alugou a barraca. Manteve o mesmo nome, “Oxum”. Após algum tempo, com a melhoria dos negócios e juntamente com sua ex-mulher, comprou o ponto e o transformou numa área de lazer com rede de vôlei e tabuleiros de jogos.

Tudo voltado para o entretenimento do turista, segundo relata. Havia ainda, mesa de sinuca e como na época a energia elétrica ainda não existia em Morro de São Paulo, colocou uma bateria de caminhão para reprodução de som e animação dos visitantes. A maioria dos turistas era estrangeira, com destaque para os argentinos.

Entre os brasileiros estavam os paulistas e os mineiros. Gramacho diz que muitas destas pessoas apenas visitaram o lugar, outros se fixaram e tiveram ainda aqueles que “desarrumaram suas vidas, pois o paraíso, às vezes, pode desequilibrar as pessoas que não estão preparadas para tanta liberdade”, enfatiza Gramacho.  

Nestes tempos a barraca vendia uma média de 150 dúzias de lambretas por semana junto com outras icuárias da região como carangueijos e diversas espécies de peixes. Com o passar do tempo, Gramacho sentiu a necessidade de fazer alguma coisa para aumentar o movimento durante a noite e atender as pessoas que gostavam da vida noturna.

Empolgado com a idéia de transformar sua barraca no novo point noturno da ilha, ele trouxe de Salvador uma aparelhagem e começou a fazer festas com som mecânico. No começo agradava não só os turistas, mas principalmente os moradores, que eram carentes de opções deste tipo.

Colocou uma cerca para delimitar a área e foi a primeira casa a promover festas na beira da praia à noite. Durante quatro anos conseguiu manter sua iniciativa, mas depois foram surgindo as outras barracas e consequentemente as concorrências.

Surgiram as caipifrutas e as festas na Oxum aconteceram até 1991, quando apareceram outras casas e devido a competição sonora ele resolveu fechar as portas. Na época em que sua barraca funcionava durante o dia, Gramacho lembra que existia uma casa, situada na entrada da ilha, que também promovia festas.

Todos os baladeiros da ilha frequentavam o local. Isto por volta de 1987 e 1988. No final das festas, as pessoas não tinham onde fazer um lanche, pois não funcionava nada na Vila durante a madrugada. Neste período, então, Gramacho teve a idéia de abrir uma lanchonete com o nome de “Q. Beco”, na rua Caminho da Praia, na Vila, parte central de Morro. A lanchonete funcionava da meia-noite às 4 horas da manhã e devido o barulho que os clientes faziam ao chegar das festas, permaneceu aberta apenas seis meses. De lá para cá Morro de São Paulo tomou outros rumos e sua barraca virou pousada.

Surgiram as festas promovidas por Luciano do Caitá, na Segunda Praia, onde hoje funciona a galeria do Funny. Conforme Gramacho eram festas mais voltadas para os turistas, mais comerciais. Surgiu a Ponta da Ilha; um bar chamado “Iemanjá”, que anos mais tarde foi arrendado e mudou o nome para “Ibiza”. Mais tarde este mesmo bar, se transformou numa das opções de festas mais badaladas e descoladas da Segunda Praia, o conhecido “87 Music Bar”, que atualmente está fechado.

Os Estrangeiros

 

A história da Ilha de Tinharé também está associada desde sua colonização à interferência e influência dos estrangeiros.

Desde os primeiros tempos, Morro de São Paulo recebe pessoas de fora, pertencentes a outros países e outras nacionalidades que elegeram esta ilha como residência.

São dezenas de estrangeiros que atraídos pelas belezas naturais, aqui aportaram em busca de oportunidade, liberdade ou apenas tranqüilidade.

Alguns não resistiram aos encantos de Morro de São Paulo e trocaram a sofisticação das cidades grandes pela simplicidade da ilha. Muitos se deixaram levar por este clima para sempre e resolveram morar. Achamos que é fundamental registrar alguma destas histórias, destes estrangeiros que ajudaram a construir o progresso desta ilha.

Os estrangeiros também vinham atrás de uma vida melhor e a primeira vista Morro de São Paulo era um lugar perfeito para atingirem seus objetivos. As mãos destes forasteiros, assim chamados antigamente pelos nativos, ajudaram a impulsionar a nova fase do turismo em Morro de São Paulo. Eles traziam novas idéias de organização de trabalho que se difundiam na Europa e nos outros continentes e incorporaram estes hábitos na população, mudando a cara do povoado.

Poderíamos citar muitos exemplos destes estrangeiros, são muitas as histórias de sucesso e permanência na ilha, mas contaremos a trajetória de apenas um que servirá como exemplo de que estas pessoas, pelo menos grande parte delas, não deseja apenas usufruir do lugar mas também almeja melhorar o espaço e tem a preocupação de cuidar do ambiente onde vive. A história de Horst Drechsler, de nacionalidade alemã, que vive em Morro de São Paulo desde 1982.

Horst nos conta que estava viajando pelo mundo e resolveu aportar em Morro de São Paulo, onde na época estava um amigo de sua mesma pátria. Veio para conhecer e ajudar o amigo a construir e acabou ficando por seis meses. O amor por Morro de São Paulo nasceu, conforme ele diz, pela multiplicidade cultural. “A mistura que existe faz com que não nos sintamos diferentes das pessoas que vivem aqui”, define. Claro, que a natureza que encontrou na ilha é o outro motivo.

Após este período, retornou para seu país, a Alemanha, trabalhou, visando juntar dinheiro para retornar a Morro de São Paulo. Horst fez o que a maioria dos estrangeiros fazia: retornava aos seus países e juntando uma quantia voltavam ao Brasil para investir. Conforme Horst, nesta época em Morro de São Paulo a única forma de renda era a pesca. E a pesca não estava entre suas habilidades.

Voltando da Alemanha, onde trabalhou durante três meses, ele permaneceu o restante do ano em Morro de São Paulo e assim foi levando sua vida até que se estabeleceu definitamente na ilha em 1986. Primeiro alugou uma casa, a antiga residência de Manuel Elisbão, localizada na parte central na Vila e atual área onde hoje funciona sua pousada.

Em 1988 comprou a casa e a partir daí começou a ampliá-la e dar formato a pousada. Ele também marcou presença na história de Morro de São Paulo, como um dos pioneiros neste setor. Lembra que qualquer investimento neste período era lucro certo. Prova disso, é que quase todo o dinheiro investido foi praticamente recuperado no primeiro ano de existência da pousada.

Hoje em dia, Horst possui uma bela e organizada pousada e ainda tem tempo para curtir um de seus hobbies preferidos: velejar. Ele é o dono de um Clube de Velas, que fica na Praia da Gamboa. (confira no link Como Chegar com sua própria embarcação a Morro de São Paulo.

Empresário consciente, Horst sabe que parte do sucesso que teve em seus empreendimentos juntamente com o progresso que invadiu Morro de São Paulo nas últimas décadas, trouxe consequencias graves para o meio ambiente da região. “Eu não desejava que o progresso chegasse tão rapidamente, pois sei das consequencias disso”, diz. Como não há como frear o desenvolvimento procurou preservar, porém, poucas pessoas lutavam e lutam por este ideal na ilha.

Para Horst, este é o único ponto negativo. Ver o que acontece, saber como vai acabar e não poder evitar. Mas podemos e devemos mudar esta história. Veja como o povo de Morro de São Paulo está agindo perante as mudanças impostas pelo progresso e o que ainda é possível fazer para mudar alguns hábitos e preservar o meio ambiente da ilha.

O progresso e suas consequências

A vida prossegue em Morro de São Paulo como tem sido nas últimas décadas deste século. A população residente na ilha cresceu grande parte deste crescimento se deve pelo aumento de pessoas que fixaram moradia no local. O número de turistas que visitaram a ilha a tornou conhecida mundialmente e a cada ano Morro de São Paulo recebe uma nova leva de transformações e após estes quatro séculos que se passaram, Morro de São Paulo recebe diariamente as invasões de turistas. Vários outros pontos turísticos do Brasil, como exemplo outra praia baiana, Porto Seguro, também passou por este mesmo processo. Primeiro vem a descoberta, depois a invasão e infelizmente a descaracterização do lugar. O deslumbramento com a nova atividade, o turismo, rende lucro fácil. Para quem estava costumado a ganhar dinheiro somente da pesca, as novas frentes de trabalho tornaram-se excelentes oportunidades de chances de enriquecimento. O progresso veio através da nova iluminação, da construção de pistas de pouso de aviões e da construção de dezenas de pousadas. Estes investimentos não modificaram o cenário natural da ilha, mas paisagens vão aos poucos sendo mudadas e o meio ambiente, sofrendo com estas alterações.

Referimo-nos aqui, não somente as mudanças da natureza, mas também as modificações pelas quais passaram os nativos deste lugar, que tiveram suas vidas invadidas e as viram misturar-se a outras culturas e costumes. Muitos relatos de nativos antigos apontam para a chegada do progresso como tendo dois lados: um positivo caracterizado pelo surgimento do turismo com o aparecimento das pousadas que foram se multiplicando e gerando emprego para muita gente e outro negativo, com a descaracterização da cultura local. Morro de São Paulo sempre foi um povoado sofrido do ponto de vista econômico até que o fluxo de turistas atingiu o espaço. As pessoas sempre sobreviveram em função de um extrativismo animal, da pesca. É um apostar na natureza. No final da década de 70, o nativo começa a sentir o sabor de uma perspectiva totalmente consciente do futuro. Sobretudo quando começa a enxergar outras moedas estrangeiras como o dólar e o euro. Vários estrangeiros apostaram no lugar, porém, a maioria destas apostas foi superficial, do ponto de vista do desenvolvimento local.

Na opinião do professor e historiador, pertencente a uma tradicional família de Morro de São Paulo, Augusto César M. Moutinho, os estrangeiros chegavam, trabalhavam durante o verão, capitalizavam seus negócios e no inverno retornavam para suas terras a fim de curtirem o verão europeu. O retorno era pequeno. Associando isto, a uma ausência total de uma política pública relacionada ao desenvolvimento do espaço e a melhoria da infra-estrutura, muito comum em algumas gestões passadas, temos um ambiente caótico. Morro de São Paulo começa a expandir primeiro horizontalmente, depois verticalmente. “A minha geração subia até o Farol e contemplava a Segunda Praia, que no verão era um mar de barracas coloridas. Automaticamente isto foi convertido numa grande invasão, não das barracas, mas de pessoas que buscaram constituir negócios”, lembra Moutinho. “Aquilo que a gente viveu há 20 anos tem infelizmente um sabor de saudade”, conclui. A Segunda Praia perdeu sua constituição física. A ilha da Saudade não é mais uma ilha. Grande parte das construções em Morro de São Paulo foi feita desordenadamente.

De acordo com os nativos, não houve uma disciplina na ocupação das áreas e o rápido crescimento turístico afetou parte dos recursos naturais da ilha. A lagoa e a fonte existente na Biquinha, são exemplos deste descaso com a natureza. Conforme os relatos da senhora Maria do Carmo Lopes Conceição, nativa já falecida, a lagoa hoje não chega nem perto do que já foi. “Antigamente havia um casal de patos que quando enxergavam as pessoas, entravam na água e de lá não saíam”, lembra. Hoje o que vimos é um cenário bem diferente. Desaparecida há muitos anos, a lagoa representa apenas uma pequena porção de água, pois o local foi quase que soterrado e a água não é tão limpa. Na Biquinha havia um bebedouro natural onde os nativos consumiam a água, inclusive, José Oliveira Santana, nativo, com 52 anos em 2008, recorda que existia uma bica d’água de onde os nativos usufruiam tranquilamente da água jorrada. Ele não lembra o ano, em que foi feito um mutirão entre os moradores para restaurar o bebedouro natural. Com a construção das pousadas o bebedouro acabou. “A água era cristalina, pura”, ressalta.

O historiador acredita que no curso de 20 anos a ilha sofreu alterações significativas e tristes. Esta contestação, segundo Moutinho, se dá pela perda de alguns elementos culturais que faziam parte da comunidade. Os espaços foram sofrendo alterações muito bruscas, por exemplo, toda a comunidade convergia sua fé para a Igreja Nossa Senhora da Luz.

As manifestações culturais aconteciam no largo em que a igreja se localiza e este foi sendo subtraído por conta da especulação imobiliária, por conta da invasão das pousadas. “Chegou num determinado ponto que aquele espaço que era considerado sagrado para o povo, não faz mais sentido”, explica o professor.

As festas populares que ainda acontecem como o Cortejo de São Benedito, agora são realizadas de maneira descolada da realidade do povo. A comunidade sobrevivia quase que em função de um patamar máximo de solidariedade. Hoje não se vê mais este patamar. Os moradores não têm mais tempo de se relacionarem com o coletivo, estão ocupados trabalhando. “As teias de solidariedade se dissolveram até dentro da família e a gente enxerga isto com extremo saudossimo e com tristeza também”, enfatiza. Segundo o historiador, talvez o único elemento que fará com que Morro de São Paulo seja cataptado como um consenso de desenvolvimento sustentável correto, bom para todos, seja este vínculo que o sujeito estabelece com o lugar.

Morro de São Paulo é um lugar cosmopolita agrega várias identidades e valores. Só que estes valores são passageiros, pois as pessoas vêm e vão. E esta ausência de identidade, esta vontade de transformar o local, faltou ao nativo. “É a capacidade que a pessoa tem de morar ali, produzir algo consistente. Produzir uma cultura interessada numa coletividade”, conclui.

E não é preciso ser um estudioso no assunto para enxergar claramente estas características apontadas pelo historiador. Os próprios nativos acham que Morro de São Paulo perdeu muito de sua cultura local com a chegada e proliferação de outros costumes. Dona Zezé, Elze Moutinho Wense, nativa com 77 anos em 2008, atribui a chegada dos hippies à grande parte destas mudanças. “Eles trouxeram costumes diferentes, os estrangeiros foram conhecendo o Morro e muitos se radicaram aqui e nossa cultura foi sendo abafada”, salienta. A troca dos nomes originais das praias, os preparativos dos festejos populares como o de São João, também é citado como recordações de um passado distante e que deixou muita saudades.

Morro de São Paulo perdeu parte de sua beleza natural, devido o crescimento desenfreado do turismo. O turismo trouxe o progresso, mas também algumas derrotas. Mas apesar destas perdas ainda existe uma imensa e bela natureza em nossa ilha, que atrai turistas de todos os cantos do mundo. O que dizemos acima deve servir de alerta e reflexão para a própria comunidade, que deve se policiar e preservar. Para os nossos governantes que devem adotar medidas para cuidar de Morro de São Paulo.

É uma luta de todos, onde a vitória só será alcançada se houver união. Morro de São Paulo é um dos poucos lugares no mundo onde existe uma reserva humana, onde as pessoas interagem 24 horas. Integram-se e tanto faz se são de Norte ou Sul de qualquer lugar do mundo. Para Jorge Gramacho, antigo morador, há uma necessidade de preservar a identidade e isto deve servir de reflexão. Morro de São Paulo não deve ser visto como um lugar só para ganhar dinheiro, mas também para se investir socialmente. “É preciso que se more e goste de Morro. Vamos aproveitar a natureza que está nos dando este cenário, o que falta é respeitá-la de uma forma mais condizente e decente”, declara Gramacho.

E como muito bem diz a ex-diretora cultural e moradora, Lena Wagner há desencontros, mas as pessoas ainda se preocupam com isto e a preservação dos recursos naturais, não deve ser vista como modismo ou como chavão, mas sim como verdadeira, com sentimento, alma e coração. “Assim teremos dignidade para recebermos nossos visitantes e o Morro sempre dará uma resposta, pois ele é o portal da alegria e o farol da esperança”, define Lena. Precisamos dizer mais alguma coisa com esta definição?

Os Personagens da Ilha

Morro de São Paulo, além das belezas naturais, possui outro tesouro: sua gente. O povoado de Morro de São Paulo abriga personagens e figuras especiais, que retratam histórias marcantes e de coragem. Cada personagem deste enredo apresenta uma vida diferente, mas todos protagonizam fatos que merecem serem contados. Trajetórias de lutas e desafios. Que instigam nossa imaginação e nos levam a viajar através de suas narrativas. Destacamos algumas destas histórias para que você as conheça e se encante com estes depoimentos, que também fazem parte deste paraíso chamado Morro de São Paulo e cujas existências fazem toda a diferença na história principal da ilha.

O xerife do Morro

Não tem alguém em Morro de São Paulo, entre nativos e moradores, que já não tenha ouvido falar de Bada. Uma pessoa carismática e respeitada que é “filho desta terra”, como ele mesmo diz. O povo o chama e o solicita frente a qualquer problema. Qualquer coisa que acontece na comunidade as pessoas reclamam diretamente com ele. O motivo desta popularidade não vem de agora.

Osvaldo Vasco dos Santos, seu verdadeiro nome, com 56 anos em 2008, já foi intitulado “delegado” de Morro de Pão Paulo. Isto há 10 anos atrás, na época em que a delegacia contava apenas com uma sede simples e os policias ficavam num posto localizado do distrito da Gamboa.

Com o apoio da comunidade, Bada abordava as pessoas e quando percebia que o indivíduo não era de “boa conduta”, o expulsava da ilha.  “O xerife do Morro”, assim era conhecido entre os habitantes de Morro de São Paulo e região. E é destes tempos que Bada nos narra um episódio que retrata muito bem sua força perante o povo. O caso de um nativo chamado Pastel. Dois assaltantes esconderam-se em sua casa, na Segunda Praia e acabaram o ferindo com uma faca. Pastel faleceu e este fato causou revolta na comunidade de Morro de São Paulo.

Bada junto com outros nativos saíram à procura dos criminosos na Mangaba, onde estavam escondidos. Munido com uma escolpeta e um revólver, capturou um dos assaltantes, mas o outro fugiu. Quando Bada trouxe de volta o ladrão, próximo a Padaria de Seu Bonzinho na Fonte Grande, o povo gritava e ovacionava por ter capturado o assaltante. Esta história foi há 15 anos atrás, mas até hoje ele recorda com orgulho e lembra das palavras ditas pela comunidade: “Esse é o homem”. Bada entregou o indíviduo aos policias da Gamboa, que foi levado para a delegacia.

A personalidade forte vem da infância. As dificuldades vividas o deixaram calejado e o fizeram enxergar o mundo desde cedo com muita responsabilidade. Bada perdeu o pai com 12 anos e teve que sustentar os 11 irmãos. Depois que casou, com Dona Celeste, passou a viver da pesca, única forma de subsistência em Morro de São Paulo na época, até adquirir seu primeiro barco. Aos poucos Bada foi trocando de embarcações até que conquistou um barco com capacidade para 70 pasageiros e fazia o percurso Morro/ Salvador/Morro. Ficou por muito tempo com este barco até que resolveu vendê-lo e comprar outras lanchas menores para os filhos que hoje trabalham com passeios e fretamentos. Mas bem antes de ser um dos marinheiros da ilha, Bada marcou sua história em Morro de São Paulo também sendo proprietário de um dos restaurantes mais conhecidos durante o final da década de 90. O Restaurante “Vereda Tropical”, fechado há 15 anos que ainda está na memória de muitos moradores que foram seus clientes. Bada ficava na cozinha com a esposa e os próprios clientes se serviam. Atualmente o ex-xerife cultiva outra grande paixão: a politica. Ele foi vereador entre 2000 e 2004 pelo Partido da Frente Liberal (PFL) e nas eleições de 2008 foi candidato novamente ao cargo, pelo Partido Comunista do Brasil (PcdoB).

O vendedor de pastéis que encanta

Assim como Bada é lembrado pela maioria da população como pessoa influente, há outro personagem nesta ilha que apesar de não ser nativo, tornou-se uma unanimidade quando se fala em alegria. Roberto Silvio Maron, com 52 anos em 2008, o popular Foom, é consagrado pela sua alegria e simpatia entre comunidade e turistas em Morro de São Paulo. Muitos turistas que passarm pela ilha levaram um pouco das histórias contadas por Foom e as trasmitiram para outras pessoas. Foom vende pasteís todas as noites num carrinho que fica na Praça Aureliano Lima, na Vila, parte central de Morro. E é neste ponto que ele arma seu cenário para o espetáculo de diversão que encanta e diverte os turistas. Embalado pelo seu violão e com a companhia de outras pessoas que tocam percussão, visitantes e moradores cantam por horas. Aliás, a Vila sem a barraca do Foom não é a mesma. Mas para chegar até aqui, para conquistar esta simpatia e admiração, este argentino passou por muitas coisas e tudo deve início em 1986, quando veio pela primeira vez a Morro de São Paulo. Foom morava em Arembepe, na Bahia, numa comunidade hippie onde conheceu um dinamarquês que lhe falou sobre Morro de São Paulo. A paisagem descrita pelo amigo despertou o interesse em conhecer o lugar. Passaram-se três anos e em 1986 ele veio conhecer a ilha, exatamente no dia 08 de dezembro, feriado baiano de Nossa. Senhora da Conceição. Ele lembra perfeitamente da viajem de ônibus com parada na cidade de Valença. Nestes tempos a rodoviária ainda era um pequeno terminal, localizado perto do cais. Recorda também, que era uma verdadeira aventura, pois chegaram de madrugada e embarcaram no barco que partiu às 4 horas da manhã, chegando em Morro de São Paulo às 7 horas.

Quando desembarcu em Morro de São Paulo, junto com sua esposa Graciela Isabel Rodriguez e os três filhos, todos pequenos, Foom não acreditou no que estava vendo. “A cor da água era transparente e parecia que estávamos chegando dentro de um aquário”, relata. Ele se deslumbrou com o que viu e sentiu. “Parecia um cartão postal, ouvia-se o silêncio do lugar”. Foi então que decidiu: é aqui que vou ficar.

O começo não foi fácil, mas ele encontrou em Morro de São Paulo uma coisa que procurava desde que saiu de seu país, a Argentina, o calor humano. A receptividade dos nativos foi muito boa e para comprovar isto, Foom conta que um morador lhe emprestou uma casa, que ficava situada na Fonte Grande para ele morar. Foi a primeira demonstração de apoio, respeito e sentimento por parte da comunidade. Devido a falta de estrutura da ilha em relação a educação, eles decidiram voltar a Salvador para que as crianças pudessem estudar.

Ficaram por três anos e quando soube que Morro de São Paulo já estava com mais infra-estrutura, regressou em 1993 e foi aí que iniciou a atividade de vendedor de pastéis. Segundo Foom, ele foi o primeiro vendedor ambulante de alimentação da ilha. No começo vendia os pastéis acompanhados com café para as pessoas que embarcavam nos barcos com destino à Valença. Ficava sentado em frente à Igreja Nossa Senhora da Luz  à partir das 5h30 esperando os clientes. Foi assim que surgiu o “pastel do Foom” que anos mais tarde teve seu ponto fixo, no mesmo local que permanece até hoje.

Nesta época ele vendia também pastel na beira da praia, caminhando da Primeira até a Quarta Praia. Assim trabalhou até o Natal de 2007, mantendo a partir desta data apenas o ponto fixo. Há 15 anos ele vende pastel e também cativa os turistas, que se divertem com o som e a batucada. Já chegou a vender 300 pastéis numa mesma noite e o segredo, além da simpatia, está na forma do preparo. É tudo feito artesanalmente, Foom prepara a massa e Graciela faz os recheios. Ele recorda que a idéia de tornar o local mais agradável e atrair os fregueses surgiu quando ele convidou Joe, um nativo que vende caipifruta junto ao carro do pastel, a fazer um som e assim surgiu a famosa batucada do Foom. Aliás, a música sempre foi uma paixão deste argentino que tem uma banda chamada “Banda Morro de São Paulo”, atualmente desativada. Além do agito que faz junto ao ponto do pastel na vila, ele também toca uma vez por semana, toda quarta-feira, no Teatro do Morro.  Hoje, Foom se mantém com o ponto da vila e seu próximo objetivo é comprar um barquinho para pescar. Um projeto simples, que segundo ele, já conquistou muito e sente-se grado com a comunidade de Morro de São Paulo pela acolhida e respeito que teve durante todos estes anos.

A Educadora

Se pedirmos para algum morador de Morro de São Paulo definir em poucas palavras Dona Zezé ou professora Zezé, como também a chamam com certeza as palavras usadas seriam “uma grande incentivadora” ou ainda “uma excelente educadora”. A senhora Elze Moutinho Wense, com 77 anos em 2008, nativa, se faz presente na história deste lugar por sua perseverança e coragem em acreditar e apostar na educação.

A vida desta batalhadora, que sempre defendeu o ensino como principal agente de transformação do ser humano, foi semelhante à vida dos demais nativos de Morro de São Paulo.

Movida a muito trabalho para sobreviver e enfrentar as adversidades do lugar. Mas vemos claramente uma diferença em sua trajetória: sua preocupação com um futuro mais justo e humano. E este futuro, de acordo com suas palavras, “é feito a partir da formação do ser humano”.

O interesse pela educação está no sangue e vem das gerações passadas. Sua avó, que se chamava Aquilina Maria, foi a primeira professora primária de Morro de São Paulo e sua mãe, uma antiga professora que atuou voluntariamente por 22 anos na Escola Nossa Senhora da Luz.

Segundo nos conta Dona Zezé, nesta época não havia professoras na ilha e sua mãe, Áurea Moutinho, alfabetizava as crianças. Este gesto rendeu uma justa homenagam e em 2002 seu nome foi dado a Escola Municipal Áurea Moutinho, localizada no caminho do Zimbo.

Na época em que viveu em Valença, onde residiu com o marido quando este ficou doente, professora Zezé ficou afastada das salas de aula. Depois que ficou viúva, ela retornou aos estudos, se formou em Magistério e trabalhou com música, praticando canto.

A professora não parou por aí. Especializou-se, cursando Teologia em Ilhéus e prestou concurso para o Estado e até hoje está nesta área. Desde que assumiu seu posto como diretora da Escola Municipal Áurea Moutinho, ela cativa a todos não só pela simplicidade, mas também pela dedicação com os alunos. Esta professora, de voz suave e aspecto físico e frágil ganhou lugar cativo na classe da educação de Morro de São Paulo e nas horas em que está fora da escola, ainda encontra tempo para desempenhar outra paixão: cuidar da igreja.

Junto com Frei Elias Feitosa, responsável pela Paróquia, realizou parte da restauração da Igreja Nossa Senhora da Luz. Desde 2004 eles estão envolvidos neste projeto e fazem da maneira que podem, pois não tem apoio do poder público, apenas da comunidade.

Dona Zezé foi a grande responsável por parte do trabalho realizado até hoje, pois foi com suas economias pessoais que foram feitas a maioria das obras de restauração do templo. (conheça mais sobre esta história no link História/ Monumentos Históricos / Igreja N. S. da Luz).

Devido sua fé, dedicação e absoluta força de vontade é que Dona Zezé é uma das personagens, que fazem parte da história de Morro de São Paulo.

Monumentos Históricos de Morro de São Paulo

O arquipélago de Tinharé tem uma longa e importante história. Seu passado foi marcado por episódios de batalhas e pela função desempenhada na defesa da Baía de Todos os Santos. Estes fatos colaboraram e fizeram com que surgissem em sua trajetória, mais exatamente entre os séculos 17 e 18, monumentos históricos que são considerados marcos culturais. O arquipélago de Tinharé,  guarda preciosidades arquitetônicas que exalam de suas ruínas importantes episódios da história brasileira

Cinco destes patrimônios estão situados em Morro de São Paulo e foram erguidos próximos a área central da ilha, sendo estes: a Fortaleza de Tapirandu, a Igreja Nossa Senhora da Luz, a Fonte Grande, o Farol e o sobrado do Casarão.

Suas construções fazem parte da história da região sul da Bahia e também do país, no período colonial. Mas a herança cultural da colonização portuguesa e o trabalho dos jesuítas na região deixaram ainda um rico acervo distribuído entre as ilhas de Boipeba e a sede do arquipélago, Cairú. Estes lugares abrigam várias construções religiosas com importância histórica e arquitetônica. No pequeno povoado de Galeão encontramos a Igreja de São Francisco Xavier, construída em 1626; em Boipeba, as Igrejas do Dívino Espírito Santo, datada de 1616 e a de São Sebastião. Cairú, abriga o Convento de Santo Antônio, construído por iniciativa dos frades franciscanos e a Igreja Matriz de Nossa Sra. do Rosário, de 1654. Você saberá como surgiram e tudo mais sobre este vasto bem cultural de Tinharé, no link Outros Povoados Próximos a Morro de São Paulo. Além de atrações turísticas e pontos de visitação obrigatória, os monumentos são os testemunhos da história e a prova do passado glorioso da ilha. Acompanhe nos próximos links, a história de cada monumento e outras informações. www.praiadoencanto.com.br

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